A ARQUITETURA DA PESQUISA
Um modelo integrado para compreender a experiência acadêmica
O modelo teórico do ENGAGE investiga como demandas acadêmicas, recursos relacionais, capital psicológico, cultura institucional e práticas potencialmente engajadoras se articulam para explicar a coexistência entre engajamento e esgotamento na pós-graduação.
Em vez de analisar esses elementos isoladamente, a pesquisa considera suas relações e os diferentes contextos culturais e institucionais vivenciados por alunos e professores.
Como o modelo funciona
O modelo parte do princípio de que o engajamento e o esgotamento não são necessariamente opostos. Uma pessoa pode permanecer envolvida, produtiva e conectada à vida acadêmica enquanto enfrenta demandas intensas e apresenta sinais de exaustão.
A experiência acadêmica resulta do equilíbrio dinâmico entre demandas, recursos e condições institucionais. Os recursos podem reduzir o impacto das exigências, enquanto práticas e contextos desfavoráveis podem intensificar os riscos de esgotamento.
As dimensões do modelo
Demandas acadêmicas
Representam as exigências que consomem energia, como carga de trabalho, prazos, pressão por desempenho, conflitos, insegurança e demandas emocionais.
Recursos relacionais
Incluem apoio de professores, colegas e instituições, qualidade das relações acadêmicas, colaboração, reconhecimento e segurança para buscar ajuda.
Capital psicológico
Reúne recursos pessoais positivos — autoeficácia, esperança, resiliência e otimismo — que podem apoiar o enfrentamento das dificuldades e favorecer o desenvolvimento acadêmico.
Cultura institucional
Abrange valores, normas, práticas de gestão e condições oferecidas pelas instituições. O modelo examina como diferentes culturas acadêmicas podem proteger, apoiar ou ampliar pressões e riscos.
Práticas potencialmente engajadoras
Incluem orientação, comunicação, liderança, reconhecimento, autonomia, colaboração e apoio institucional. A pesquisa investigará quais práticas são percebidas como capazes de fortalecer o engajamento e o bem-estar.
Relações examinadas pelo modelo
O estudo examina como as cinco dimensões se relacionam com o engajamento, o bem-estar e o esgotamento acadêmico. Essas relações serão analisadas sem pressupor que um mesmo fator produza efeitos idênticos para todas as pessoas ou em todos os contextos.
Demandas e esgotamento
A pesquisa investigará se demandas acadêmicas mais intensas estão associadas a maiores sinais de exaustão e burnout.
Recursos e proteção
Será examinado se recursos relacionais e capital psicológico podem reduzir o impacto das demandas e favorecer a permanência, o bem-estar e o engajamento.
Práticas e engajamento
O estudo analisará quais práticas de orientação, liderança, comunicação, reconhecimento, autonomia e colaboração são percebidas como potencialmente engajadoras por alunos e professores.
Cultura institucional
A cultura institucional será considerada como o contexto que pode fortalecer, limitar ou modificar as relações entre demandas, recursos, práticas, engajamento e esgotamento.
Coexistência entre engajamento e esgotamento
O modelo permitirá identificar diferentes combinações da experiência acadêmica, incluindo pessoas engajadas sem sinais relevantes de esgotamento e pessoas que permanecem engajadas mesmo apresentando sinais de exaustão.
Comparação entre contextos
As relações propostas serão examinadas entre alunos e professores e comparadas nos contextos do Brasil, de Angola, da Espanha e dos Estados Unidos. Essa abordagem permitirá identificar padrões compartilhados e particularidades culturais e institucionais.
O modelo em síntese
O ENGAGE busca compreender não apenas quais fatores estão associados ao engajamento e ao esgotamento, mas como esses fatores interagem dentro de diferentes experiências e ambientes acadêmicos.
